sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Conheça a doença que causa quase 100 orgasmos por dia

A doença pode se manifestar ainda na infância e causa grande constrangimento às mulheres que a desenvolvem

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Foto: Thinkstock
O chamado Transtorno da Excitação Genital Persistente – ou Persistent Genital Arousal Disorder, cuja sigla em inglês é PGAD, é um transtorno sexual com prováveis origens neurológicas. A medicina ainda não consegue afirmar quais as causas do transtorno, mas uma das hipóteses é que se trate de um mal funcionamento de alguns nervos sensoriais.
O principal sintoma da PGAD é um estado de excitação permanente e involuntário. As mulheres portadoras da doença podem ficar excitadas sem que estejam falando sobre sexo ou vendo cenas relacionadas a ele. As situações que podem desencadear uma crise são as mais diversas. Entre elas estão o uso de roupas apertadas, cruzar as pernas, o contato do corpo com qualquer tipo de superfície e mesmo alguns tipos de vibração produzidas por um veículo em movimento, por exemplo.

As mulheres que sofrem de PGAD costumam demorar para procurar ajuda médica, porque sentem vergonha da condição em que se encontram e das situações constrangedoras resultantes de seu problema de saúde.
De acordo com James Pfaus, membro do departamento de Psicologia da Universidade de Concordia, no Canadá, essas mulheres “não disfrutam do momento, de modo que a comparação que algumas pessoas fazem com o termo ‘ninfomaníaca’ não tem base em dados clínicos”.
Os especialistas que se dedicam a estudar o tema defendem que o estado em que essas mulheres se encontram é incômodo e, muitas vezes, doloroso.

Depoimento anônimo

Leia abaixo um texto escrito por uma anônima portadora do transtorno e publicado em 2009.
“Toda vez que faço alguma coisa, preciso avaliar minha situação. Onde estou? Há pessoas ao meu redor? Se sim, quão bem eu as conheço? Qual a probabilidade de as coisas se complicarem, se eu não encontrar um lugar suficientemente privado a tempo? Posso fazer barulho? (Os sons geralmente não são necessários, mas podem ajudar a aliviar melhor a pressão). Eu evito situações que possam desencadear o problema – coisas como música com um “baixo” muito pesado, vibrações provenientes do movimento de um trem ou de um carro parado, ar gelado, perfumes com notas almiscaradas, escuridão, estresse, filmes de terror, filmes românticos, toques inesperados ou não esvaziar a bexiga.
A PGAD não está, em absoluto, relacionada ao ato sexual. Assistir a cenas de sexo não significa nada para mim; por outro lado, um dia desses, quando um amigo pôs sua mão em minhas costas, eu tive muita dificuldade para conter um orgasmo fortíssimo, que me faria gritar. Se meus batimentos cardíacos ficam muito rápidos por muito tempo, normalmente acontece uma crise. Eu tenho evitado exercícios e, com isso, ganhei muito peso. Uma vez, eu estava abraçando um parente meu e senti um orgasmo se aproximando. Aquilo pareceu muito sujo e errado, e eu surtei por completo. Agora, eu tento evitar abraços em geral, a menos que me sinta preparada para eles.”

As mulheres com PGAD podem ter dezenas ou mesmo centenas de orgasmos por dia. A situação se complica de tal modo que lhes é difícil conviver com outras pessoas, devido à intensidade das crises de excitação e à falta de controle que se possui sobre elas. A PGAD pode se manifestar ainda na infância, mas também há relatos de mulheres que passaram a apresentar os sintomas durante a gravidez ou após a menopausa.
A maioria das mulheres que sofrem o transtorno não tem sintomas psiquiátricos pré-existentes ou anomalias detectadas em exames de laboratório, segundo um estudo realizado em 2008.
O tratamento da PGAD pode ser feito utilizando-se alguns antidepressivos e, mais recentemente, houve sucesso no uso de um medicamento inicialmente usado para combater a dependência à nicotina. Os sintomas tendem a diminuir consideravelmente, possibilitando à mulher uma vida praticamente normal.

Por Carolina Werneck (Dicas de Mulher)

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